16 anos, título na mão, zero desculpa: o voto que a galera deixa esquecido na gaveta
Photo: José Luiz, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Vamos começar com um número que incomoda: nas últimas eleições municipais, a abstenção entre os eleitores de 16 e 17 anos passou de 70% em boa parte do país. Isso mesmo — sete em cada dez jovens que poderiam votar simplesmente não apareceram. E olha que essa faixa nem tem obrigação: é facultativo. Mas quando a gente olha pros eleitores de 18 a 24, a história não melhora muito. A ausência nas urnas é sistematicamente maior do que em qualquer outro grupo etário.
A pergunta que a redação do PemudaBMR fez foi simples: por que a galera que mais usa a cidade — ônibus lotado, escola sem mercear, UPA com fila — é a que menos decide quem administra tudo isso?
O saldo bancário que ninguém saca
Existe um discurso cansado de que "o voto jovem é o futuro da política". A gente discorda. O voto jovem não é promessa futura: é dinheiro na conta que ninguém sacou. Cada eleição disputada por poucos votos — e tem prefeitura que foi decidida por margem menor que a de uma escola média inteira — prova que a turma ausente não é plateia, é protagonista que não entrou em cena.
Pensa em cidades onde a eleição foi decidida por 2 mil votos. Agora pensa quantos colégios, quantas faculdades, quantos grupos de zap existem ali. Se só metade dos jovens aptos tivesse ido votar, o resultado seria outro. Não é sorte, é aritmética.
Diretas Já no recreio: a pauta que volta aos colégios
Essa conversa não é nova. O movimento das Diretas Já, em 1984, teve um componente estudantil gigante — colégios inteiros mobilizados, reuniões no pátio, cartazes feitos à mão. Quarenta anos depois, o espírito voltou, só que em outro formato: coletivos estudantis organizando debates entre candidatos no pátio da escola, gravações de celular virando conteúdo de eleição, e uma campanha silenciosa mas eficiente pro que a gente chama de "título aos 16".
O voto é facultativo nessa idade, mas o título é o passaporte. Quem tira aos 16 entra no sistema, acompanha o processo, entende a urna — e chega aos 18 com o hábito já formado. Vários colégios públicos hoje fazem mutirões de emissão do documento em parceria com os cartórios eleitorais. Funciona: onde tem mutirão, a abstenção cai.
Passo a passo: do zero ao primeiro voto
Se você nunca votou e acha que é complicado, relaxa. É mais fácil que abrir conta no banco:
1. Tira o título. Dá pra fazer pelo Título Net, site do TSE, com foto e documentos digitalizados, ou presencialmente no cartório eleitoral. Leva menos tempo que uma fila de banco.
2. Confirma teu local de votação. Pelo app e-Título você vê seção, zona e endereço. Sem stress no dia.
3. Escolhe com critério. Antes de votar em prefeito e vereadores, olha as propostas no portal DivulgaCand do TSE. Todo candidato é obrigado a registrar propostas. Quem não tem plano de governo tá te dizendo algo.
4. Fiscaliza. Chega na sua seção, vota na urna eletrônica e confere na tela se o número digitado corresponde ao nome e à foto do candidato. Boa parte das fraudes de "voto errado" é distração na hora de digitar. E depois das 17h, acompanhe a apuração — em cidades menores, um punhado de votos decide tudo.
5. Justifica ou regulariza. Se não puder votar, justifica pelo app. Faltar três vezes sem justificativa te deixa em situação irregular — sem CPF regularizado, é dor de cabeça garantida.
2026 não vai esperar por você
A eleição geral de 2026 vai eleger presidente, governadores, senadores e deputados. É o pacote que define o valor do transporte, a verba da universidade, o futuro da reforma da educação média. A geração que mais sente essas políticas no dia a dia é justamente a que mais falta à urna.
A boa notícia: mudar isso depende de duas coisas que a gente já domina — celular e rede de amigos. Compartilha o e-Título, chama o grupo da turpa pra tirar o documento juntos, organiza um debate no colégio. O saldo está aí. Falta sacar.